quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A Lasanha e a Salada

      Amo viajar e um dos motivos dessa minha fascinação deve-se ao fato da minha percepção ficar bem mais aguçada nesse período, penso muito na vida, nas diferenças entre a cidade onde moro e a que estou conhecendo, vejo pessoas com suas malas e imagino o porquê de estarem viajando: Problemas de saúde? férias? encontro com o amor? reencontro com o passado?... milhares são as possibilidades. Mas outra coisa que observo são as pessoas que moram nesse local e que têm tanto para mostrar.

Imagem: Pinterest
      Certo dia estava almoçando em um restaurante e na minha frente vejo a seguinte imagem: um homem com seus 30 e poucos anos, cabelo escuro, vestido em uma camisa social rosa, conversando no celular enquanto o apoiava no ombro porque suas mãos estavam ocupadas, a direita segurava um garfo e uma faca e na esquerda o seu prato, este que estava bem alto, repleto de alface para todos os lados, curiosamente olhei novamente e vi que embaixo daquelas folhas todas estava um grande e belo pedaço de lasanha. Na hora, disfarçadamente ri daquela situação que me fez pensar diversas coisas, entre elas a metáfora daquela cena, pois nós seres humanos por vezes somos um prato de lasanha coberto por salada.

      Quantas pessoas não tentam agir diferente de sua essência, essas que são destrambelhadas, organizadas, mau humoradas, despreocupadas, tímidas, desinibidas, extrovertidas ou introvertidas... mas que por vezes mostram-se como uma alface, aquela sem nenhum tempero, nem mesmo uma gotinha de vinagre, isso por acreditarem que não serão aceitas do seu jeito, por sentirem-se pressionadas a agirem de uma forma "apropriada". A lasanha é muito mais saborosa, mas o seu excesso, principalmente de sentimento assusta pessoas que são acostumadas apenas com uma fina capa/folha de superficialidade.

      Para você que vive um dilema sobre qual dos dois ser, como agir, seguir ou não padrões impostos, lembre-se que que a lasanha leva muito mais ingredientes e sabor, então assuma a complexidade do seu prato e sinta-se orgulhoso (a) por seu tempero pessoal que é a sua essência. Deixo uma dica para a sua vida: coma salada, mas seja uma grande e bela lasanha.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

RESENHANDO: Três metros acima do céu, de Federico Moccia

     Como dizem "quem é viva sempre aparece", então após um século resolvi ressuscitar aqui no blog e vim para falar sobre Três metros acima do céu, livro de Federico Moccia, um escritor italiano queridinho de muita gente, inclusive meu. Minha história com este livro começou por causa de uma amiga que assistiu uma adaptação da história e gostou tanto que decidiu me obrigar a assistir (hoje agradeço por isso). Quando isso aconteceu ainda não sabia que o filme era baseado em um livro, então após descobrir fui procurá-lo loucamente e já adianto para os que tiverem interesse em comprá-lo que procurem em sebos ou alguma outra loja que venda usados, porque ele é bem difícil de ser encontrado, caso não consigam ainda tem a opção da versão digital (como foi o meu caso).
Google imagens: versão portuguesa e espanhola

    A história de Três metros acima do céu acontece em Roma e nela conhecemos Step, um rebelde sem causa que vive envolvido em diversas confusões, corridas perigosas e tudo que possa causar dor de cabeça à sua família, mas isso tudo tem um porquê (fiquem tranquilos que eu não contarei nada). Então em uma de suas voltas de moto ele conhece Babi, uma filha perfeita que age exatamente como a mãe deseja, típica patricinha que quando se envolve com Step percebe que existe um mundo onde regras e expectativas são quebradas, no qual ela pode fazer o que deseja, libertando-se do aprisionamento em que vivia... eu sei, parece com diversos outros livros por aí, no entanto encontramos uma intensidade e beleza poética só vistas na escrita de Moccia e que nos faz refletir sobre certas situações pelas quais passamos, até dá vontade de escrever um caderninho só com citações dessa obra.

     Um dos motivos pelos quais me apaixonei pela história se deve ao fato de amar personagens que sofrem transformações e assim conseguem suas redenções, mas o interessante é que Step não se torna o "cara perfeito" como vemos em outros livros, ele não perde sua essência, mas aprende a amadurecer com os seus erros porque Babi dá a ele algo que já não tinha mais: paz.

     Descobri então que o livro tinha uma continuação chamada "Sou Louco Por Você" que seria a finalização dessa história, porém, contudo, todavia... ocorreu uma reviravolta no destino dos personagens que não agradou a muitos (inclusive a mim) e para conseguir a sua redenção em 2017, 11 anos após SLPV, isso mesmo 11 anos depois, Federico lançou "Tres Veces Tú" o terceiro e aparentemente último livro, da agora trilogia. Esse foi lançado apenas em espanhol, pois por alguma razão desconhecida as editoras do Brasil não investiram no autor, assim quem quiser ler a conclusão terá que fazer isso em espanhol, mas já adianto que valerá muito a pena.

     Aos que gostam de referências 🙋 Moccia é o mesmo autor da obra que inspirou o filme "Lição de amor" (Scusa ma te chiamo amore) sobre o qual falei AQUI anteriormente. Quem tiver interesse nos filmes, apenas os dois primeiros foram adaptados em duas versões: uma italiana (🙊) e outra espanhola, essa que foi a primeiro que assisti e também é minha favorita. Aqui no Brasil o primeiro filme foi intitulado de "Paixão sem limites" (😐) e quando procurarem fiquem de olho na resenha porque existe um filme dos EUA com esse mesmo nome, mas o contexto é completamente diferente.

Imagem: Pinterest

P.S.1: Na versão espanhola o nome de alguns personagens são diferentes do livro, como é o caso do Step (Stefano) que se torna H (Hugo), então não pensem que encontraram o filme errado, essas são apenas algumas mudanças que foram feitas para aproximar mais a história do público deste país.

P.S.2: Sei que esse ano jurei postar mais, o que não aconteceu 🙈... então, agora juro solenemente não fazer mais nenhuma promessa, pois estou ciente de ser um fracasso quando o assunto é cumpri-las aqui no blog. Minhas desculpas, abelhudas (os) 😗. Agora rezo para que consiga pelo menos voltar com os posts mensais... Fiquemos na torcida 🙏. 

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

RESENHANDO: Do seu lado, de Fernanda Saads

     Olha quem voltou... SIIM, eu ainda sou um projeto de blogueira, mas a vida é uma senhora montanha-russa de tão louca e imprevisível, por isso estava sumida, mas vamos lá e página pra frente. Aproveitando que estou falando em páginas/livros, de uns tempos para cá estou em uma fase meio "nacionalista" procurando boas histórias de autores brasileiros para ler e me apaixonar e após várias pesquisas, felizmente encontrei MUITAS pérolas.

    Algo comum entre nós leitores  é que muitas vezes ficamos tão focados nas tantas obras de escritores internacionais que acabamos deixando um pouco de lado os nossos 'conterrâneos' e assim deixamos de conhecer bons livros que trazem cenários e vivências mais próximas às nossas.

Google Imagens. E não, não sou nada fã desta capa😐🙊
    Mas sobre minhas descobertas... em meio a minhas navegações no Skoob encontrei Do seu Lado, de Fernanda Saads e a temática logo me capturou porque depois de Simplesmente Acontece, de Cecilia Aherne, fiquei apaixonada por esses romances quase impossíveis entre melhores amigos, desses que trazem a ideia de que "o amor tá embaixo do seu nariz, basta olhar" (no meu caso, a miopia deve tá séria, porque ainda não vi, enfim...).

    Quando encontrei o livro logo pensei: "Só vou parar de ler quando terminar", sinto dizer que não foi exatamente verdade, pois tenho minhas necessidade alimentícias que não podem ser reprimidas e nesse dia tinha The Walking Dead pra assistir (sim, sou uma Walker), mas juro que essas foram as minhas únicas pausas, porque simplesmente não consegui parar pelo resto do tempo. Então, sobre a história:

"Após um longo tempo de terapia para se recuperar de um fora, Sarah parece estar bem. Quer dizer, ela já recuperou seu peso normal e consegue pensar em outras coisas além de Bruno. O problema é que no fundo ela vive fantasiando o dia em que esbarra com ele na rua e: pimba! Ela está linda e radiante e ele percebe a mancada que deu.
Seus planos são simples: reconquistar Bruno e depois dar o troco que ele merece. Mas o destino lhe prega uma peça quando Nestor, seu chefe, pede que ela visite um novo cliente e, de repente, tudo vira de cabeça para baixo. Lá está ela de frente para o seu antigo amor, que parece mais irresistível do que nunca!
Enquanto isso, seu melhor amigo, Igor, sempre presente e irritantemente perfeito, não suporta vê-la cair nas garras do bonitão outra vez. Sarah terá que lutar contra os próprios conceitos para descobrir o verdadeiro sentido do amor."
(Resenha oficial)

    Agora me perguntem, Sarah é cega? Não literalmente, mas mentalmente e passionalmente ela pode ser bem tapada, isso porque qualquer um sabe que essa de "voltar com ex por vingança" pode dar muito errado, e é exatamente isso que ela faz para que ele "pague" por algumas situações do passado, mas obviamente o tiro sai pela culatra, sinceramente tinha momentos que quase emprestava meus óculos para ela, porque ali só podia ser miopia das brabas, sem falar nas diversas vezes que tive vontade de puxá-la para fora do livro, bater um papo e tentar colocar algum juízo naquela cabeça, porque misericórdia...

      Deixando a Sarah um pouco de lado e falando sobre um dos personagens mais cute cute que li nos últimos tempos, só posso dizer que quero um de presente... Igor, que serzinho mais fofo, o típico owwn 😍 apaixonado, porque para um cara assistir Sexy and the city tem que amar MUITO a garota. Sabe aquele tipo de pessoa que está sempre contigo, dando o braço, o ombro e o mais importante de tudo, comida? Pois é, ele é desses, no entanto apesar de tudo isso (mesmo com a comida😋) o coitado sempre fica na famosa "friendzone".



   Então, depois de um bom tempo, Sarah finalmente aceita meus óculos emprestados e nota o partidão que está perdendo e quando isso acontece o rapaz simplesmente começou a namorar uma antiga colega de faculdade, essa que diga-se de passagem, não é uma grande amiga da mocinha, para falar a verdade, as duas não são amigas de jeito nenhum😱.

      Como falei, essa leitura lembra Simplesmente Acontece, um dos motivos é porque TODOS sabem que os personagens nasceram para ficar juntos, menos a tal da protagonista😒😑, e quando imaginamos que agora vai e dizemos "AGORA VAI"... simplesmente... não vai, frustrando continuamente o coração do pobre leitor. Não posso deixar de lado que na história também conhecemos diversos personagens secundários apaixonantes e quem me conhece sabe que amo isso, personagens bem feitos que não precisam ser os protagonistas para envolver e fazer com que o leitor se apegue a eles.

      A leitura é bem rapidinha, acabei em questão de horas e o que mais gostei é que em alguns momentos sofri com a protagonista, isso pelo fato do livro trazer questões pelas quais muitos já passaram em suas vidas, como tentar se encaixar em certos padrões para sentir-se inserido em algum grupo, também mostra a questão dos relacionamentos e seus términos complicados, sem falar naquela cegueira básica frente a coisas que estão na nossa cara, mostrando assim como o ser humano pode ser inocente (ou burro mesmo) em diversos momentos da vida. Não posso deixar de citar que genialmente em certo momento a autora colocou um momento de epifania✰, na qual percebemos que o jardim do vizinho nem sempre é o mais bonito, enquanto o nosso pode ser maravilhoso sem precisar ser perfeito, mas não entrarei em detalhes para evitar spoilers🙊.

    Outro ponto interessante colocado é que o amor nem sempre é aquela nossa ideia adolescente de paixão louca que nos tira o juízo, as vezes ele pode ser simplesmente aquela maravilhosa calmaria, uma brisa que é capaz de nos mostrar com um sussurro quem realmente somos e o que desejamos para a vida.

     No INÍCIO dava para perceber algumas mudanças abruptas de cena, deixando um ar de que estava faltando algo na escrita para completar certos acontecimento, mas nada que atrapalhe a leitura e o resto da história, mas independente de qualquer coisa, admito que meu coração e vínculo pelo livro está pedindo 5 abelhas apaixonadas 🐝🐝🐝🐝🐝, porque no fim das contas, para mim, algumas vezes um livro pode conquistar o leitor pelas mensagens deixados na mente e no coração do leitor, essas que não me foram poucas. Fiquei surpreendida com a escrita tão agradável da Fernanda Saads que é nordestina 💗 e já posso dizer que foi minha boa, na verdade, maravilhosa descoberta do ano.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Amor X Dinheiro

    Essa postagem vai ser um pouco diferente, estou hoje mais uma Alanessa cheia de devaneios, pensamentos, talvez um tanto revoltada, até mesmo um pouco acadêmica, então, que venham citações e referências... Enfim, como tanto murmurei em diversos momentos por aqui, alguns puderam perceber que ano passado foi uma loucura e em meio a esse caos estava construindo meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), nele falei sobre a questão de relacionamentos por amor e/ou dinheiro e enquanto fazia isso comecei a pensar em certas coisas sobre a nossa vida e sociedade.


    Na minha pesquisa percebi que mesmo vivendo em pleno século XXI, continuamos com a mente do século XIX pra certas coisas que parecem não incomodar a muitos. Indo direto ao ponto, no meu trabalho mostrava a importância do dinheiro nos relacionamentos nas obras Persuasão, de Jane Austen e Senhora, de José de Alencar, nos quais os casais protagonistas separavam-se por um dos personagens não ter dinheiro e assim não ser considerado "digno" (sim, essa palavra é realmente usada)  do outro. Falando sobre a vida real, naquela época tinha até mesmo um manual de casamentos para jovens, alertando para que não se casassem com ninguém de "nível inferior" ao seu.

    "O casamento com “gente igual” era altamente recomendável, e poucos eram os jovens que rompiam com essa tradição. O autor de um desses manuais (o Guia de casados) recomendava em 1747: “uma das coisas que mais podem assegurar a futura felicidade dos casados é a proporção do casamento. A desigualdade causa contradição, discórdia [...] Perde-se a paz e a vida é um inferno" (PRIORE, 2013, p. 15)."


Imagem: Pinterest




    Parece pesado, não é? Mas infelizmente é a nossa realidade, pois em busca de uma "boa vida" tantas pessoas deixam o amor de lado até mesmo nos dias de hoje, e NÃO, isso não é história de novela mexicana, basta olhar direito que vemos isso ao nosso lado, afinal muitas(os) ainda pensam em casar apenas com aquele príncipe (princesa) lindo(a) e rico(a) para viver perfeitamente seu conto de fada, não sabendo que esse estereótipo é uma mera ilusão, a realidade é a de pessoas com defeitos, e se caso não olhemos além de sua conta bancária, é mais fácil viver um drama digno de Victor Hugo ou uma história de terror digna de Stephen King.


    O que acho engraçado (para não dizer trágico) é que esses preconceitos do ponto de vista financeiro existem SIM, quantos casais não foram separados por não serem "iguais", por terem "um muro separando os seus mundos", por eles serem "tão diferentes, que nunca darão certo"???. Só posso dizer que relacionamento é uma das coisas mais complicadas na vida humana, porque nem mesmo gêmeos são iguais, mas quando se tem amor, compreensão e verdade, nenhuma conta poupança ou corrente pode separar ou romper esse sentimento e ganhar a disputa do Amor X Dinheiro.


    Meu estudo foi longo, MUITO longo, não coloquei nem 1% dele aqui. Sei que obviamente o dinheiro é necessário, não sou louca para duvidar disso, mas um ponto importante é termos a consciência que não devemos deixar nada nos separar daquilo e daquele(s) que amamos de verdade, não nos fazendo enxergar as prioridades das nossas vidas.

REFERÊNCIA:
PRIORE, Mary Del. Conversas e histórias de mulher. 1. ed. - São Paulo: Planeta, 2013.


  P.S.1: Inacreditável, na verdade acreditavelmente, no dia que finalizei esse post e iria postar aqui no blog, mais especificamente ontem fui roubada em plena luz do dia, o que me deixou pensando mais uma vez o que o dinheiro não faz com a mente humana? levando esses indivíduos a saírem de suas casas para assaltar essa coitada que só tinha ido pagar suas contas (felizmente já tinha pago🙌), assim me pergunto como o troco desse dinheiro o fará mudar de vida, o tornará milionário? Digo que não, e isso me leva a afirmar mais fortemente que, infelizmente a fraca mente humana é tão suscetível quando se trata desse pedaço de papel e/ou metal que nos trás tantos problemas. Graças a Deus estou bem (um pouco chateada ainda? sim), mas o que dizer da consciência e "vida" (se posso chamar disso) desses dois indivíduos, na verdade sinto  muito por eles, pois fico imaginado o que os leva a cometer isso contra os outros e principalmente contra si.

  P.S.2: Desculpem pela mudança de foco, porém acredito que quanto mais ficarmos calados, negligenciarmos e nos acostumarmos com essas situações mais elas tornarão-se cotidianas (se é que não estão🙍). E vou aconselhando também que você NUNCA deve resistir, em seguida vá direto à delegacia e tenha a consciência que sua vida é mais importante que qualquer outra coisa que tenha sido levada. 

  P.S.3: Se quem roubou minha bolsa lê meu blog, favor devolver minhas xeroxes, afinal tenho que estudar para assim pelo menos tentar fazer do mundo um lugar melhor (sim, minha esperança nunca acaba), e poder mostrar aos meus alunos que por meio dos estudos podemos SIM mudar a nossa sociedade e ajudar pessoas que acreditam não existir outras formas de transformar as suas histórias, pois se tem alguém que pode nos ajudar com isso é a uma sábia senhora chamada EDUCAÇÃO.


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